quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nem tudo é o que parece

    
Nem tudo é o que parece “… veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores”. Jesus de Nazaré
Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel Quando nossa religião se baseia em códigos comportamentais as possibilidades de se cometer grandes injustiças são imensas.
Entendo a religião como sendo aquilo que se opõe à espiritualidade, pois a mesma nada tem de espiritual, estando alicerçada em sinais exteriores e acessórios que embelezam a vida superficial das pessoas, tornando-a aceitável ao padrão de santidade predeterminado por certo grupo.
A espiritualidade, por sua vez e como o próprio nome é capaz de revelar, está ligada à vida interior, à essência de alguém e não pode ser notada a partir de uma primeira vista.
Religiosos têm grandes dificuldades em perceber as coisas espirituais, pois estão equivocados quanto ao seu verdadeiro conceito. Confundindo o essencial com o superficial, tornam-se incapazes de compreender os sinais subjetivos que compõem uma genuína vida espiritual.
Para eles, espiritualidade se nota nas vestimentas, na utilização de terminologias ‘sagradas’, no abraçar de tradições, usos e costumes, portanto, alguém que seja minimamente exótico a alguns procedimentos padronizados por suas convenções, está fatalmente desqualificado.
É interessante observar que essa prática, normalmente ligada ao tradicionalISMO religioso, é comum desde tempos remotos e estava presente na história da origem do cristianismo.
No texto que coloquei lá no topo desta reflexão e pode ser encontrado na Bíblia, em Mateus 11:18-19, está escrito que João Batista, o profeta mártir, apareceu na vida dos religiosos de forma radical, estranha e peculiar. Ora, ele era filho de sacerdote, portanto, uma pessoa de linhagem sagrada e poderia ter vivido no contexto religioso sacerdotal, mas optou em não viver aquilo. João era uma pessoa controvertida, exótica mesmo, usava roupas diferentes e não comia, nem bebia o que as pessoas comuns costumavam comer e beber. Sim, ele era uma figuraça, mas era um homem de Deus. Estava cheio do espírito profético e apregoava o arrependimento como única via de esperança para aqueles religiosos mascarados por seus tradicionalISMOS.
Sim, de fato, o tradicionalISMO é um bom disfarce para gente que não vive uma espiritualidade genuína e João era uma pessoa muito diferente, sua postura era difícil de ser engolida pela religião vigente e, por esta razão, não foi bem aceito e em certo tempo, foi assassinado pelo poder.
Sendo uma espécie de nazireu, ou seja, alguém não bebia nada alcoólico, um abstêmio, vivia em lugares diferentes, deixando pistas de ter sido uma pessoa até certo ponto anti-social e isto fez dele uma figura controvertida demais, fora do padrão sacrossanto apregoado pela convenção humana de seu tempo.
Do lado oposto, veio Jesus, uma figura bem desinibida, acessível, popular. Jesus podia se achegar a qualquer roda social e conversar com naturalidade. Jesus, o homem, era diferente de João, o Batista. Ele se assentava na mesa para comer e prosear com religiosos dos mais tradicionais, com cidadãos odiados pela sociedade, ele falava de igual pra igual com mulheres, com crianças, com soldados, com romanos, com santos e com profanos, com judeus e gentios.
Em suas próprias palavras, Jesus comia e bebia (o que você entende por comer e beber? Glutão e beberrão?).
Ora, assim como João, Jesus estava fora do padrão da convenção. Ele era livre, flutuava pela existência humana tal como um verdadeiro Deus sobrevoa sua criação, mas mesmo assim, desagradou a religião e o tradicionalismo dos que afirmavam ser sacerdotes dEle próprio.
Dias desses, causou profunda controvérsia no meu perfil do Facebook o fato de eu ter afirmado que gostava de beber cerveja. Foi uma verdadeira guerra de versículos e ideais, destilar de venenos e sarcasmos (muito deste último de minha parte, confesso). Alguns entraram em conversas profundas comigo via chat e, de forma reservada, me exortaram a não tratar dessas coisas de forma assim tão “pública”, em virtude da fraqueza dos fracos e do escândalos dos pequeninos. Houve um que, por sua particular história de vida, visto ter como parente um alcoólatra, afirmou que o diabo estaria me usando para propagar essa desgraça também dentre os cristãos.
Meu Deus, quanta confusão! Apenas disse que gostava de ‘tomar uma’ e já virei alcoólico, mau exemplo, apologeta de gambrinus, coisas assim!
Tiro lições de todas essas coisas e uma delas é que tanto João, quanto Jesus foram incapazes de agradar à religião, mesmo que um fosse um exemplo de monge e outro um exemplo de normalidade humana. Sim, Jesus era o Santo, o Filho de Deus, mas visualmente, externamente era uma pessoa como outra qualquer. A diferença de Jesus estava naquilo que fluía de dentro dEle, que era capaz de gerar vida, ressurreição, cura, visão, novas perspectivas, esperança… tal como o próprio João Batista.
Pessoal, desistam de julgar quem quer que seja pelo exterior, pois isso não funciona. Sejam felizes, amem, desfrutem da vida que Deus lhes proporcionou. Nenhum cristão precisa de comida ou bebida para viver, portanto, comida, nem bebida definem um cristão, mas sim a essência de Cristo habitando em cada um de nós.
Não aceito que bombardeiem minha cristandade com falácias. Podem até pensar e dizer que não, mas eu também sou cristão.

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Pastor, músico, compositor, poeta, jornalista, produtor musical, blogueiro, twitteiro, facebookeiro, observador da igreja dos últimos dias à serviço de Cristo.

PLC122 – Alerta a quem busca a verdade e não quer ser manipulado: estatuto de igreja não pode contrariar a lei

PLC122 – Alerta a quem busca a verdade e não quer ser manipulado: estatuto de igreja não pode contrariar a lei
@Por Rubens Teixeira
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A Constituição da República prescreve no artigo 22, inciso I, que é competência privativa da União legislar sobre direito penal. Isso quer dizer que nem os estados, nem os municípios podem legislar sobre este tema. Menos ainda poderiam os entes privados, especialmente as igrejas.
Por outro lado, há outro conceito proposto pelo jurista alemão do século passado Hans Kelsen, muito aplicado à teoria do direito brasileiro, que é a hierarquia das normas. No Brasil, as normas estão dispostas de forma decrescente da seguinte maneira: Constituição Federal; leis complementares, ordinárias, delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos e resoluções; decretos regulamentares e outras de menor extensão e eficácia.
Isso quer dizer que, se o PLC122 for aprovado, mesmo se por uma aberração, um estado ou município que aprovasse uma lei contrariando o seu conteúdo, ou surgisse outra, de hierarquia inferior, com teor contrário, não teria eficácia. Não só porque é competência privativa da União legislar sobre direito penal, mas também por conta da hierarquia que existe entre as normas.
Além disso, o cartório onde se vai registrar o estatuto das igrejas verifica o alinhamento com a legislação vigente. Se aprovado com cláusula ilegal, o cartório pode responder para a corregedoria que o fiscaliza. Um estatuto que tente legitimar qualquer coisa vedada na lei terá o dispositivo contrário a ela nulo, ou, se todo ele contrariar a norma legal, será totalmente nulo.
Se há um estatuto aprovado e surge uma lei nova que vede algo previsto nele, vale a lei e a cláusula estatutária anteriormente vigente não servirá de argumento de defesa para quem descumprir o mandamento legal. Se não queremos uma lei, temos que batalhar por isso antes que seja aprovada. Juridicamente, a lei tem eficácia erga omnes (contra todos) e não há estatuto ou contrato social que pode nos livrar dos seus efeitos.
Fui conferir, no site do Senado Federal, as modificações implementadas no “novo PLC122” e cheguei à conclusão de que ainda há flancos. Todos os artigos modificados de todas as leis alteradas no PLC 122 sofrem do mesmo mal apontado abaixo. Resolvi comentar apenas o primeiro artigo do projeto de lei porque os comentários se aplicam a todos os demais.
“Art. 1º A ementa da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação: “Define e pune os crimes de ódio e intolerância resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gênero ou condição de pessoa idosa ou com deficiência. (NR)”. Claro que, depois de distinguir alguns preconceitos de forma clara, não faz o menor sentido enquadrar outros, não elencados, na palavra ‘origem’, como se fosse um pacote aberto que coubesse qualquer coisa. Se outros caberiam neste pacote, qualquer um caberia. Não precisaria dos elencados neste PLC tão empurrado para a aprovação. Como o maior preconceito no Brasil, muito distante dos demais, é o contra a pobreza e não foi contemplado, não faz sentido falar nestes outros.
A pobreza mata, exclui, produz efeitos, por razões terríveis, que leva as pessoas a morrerem nos corredores de hospitais, a não terem escolas para seus filhos, faz com que o Estado seja mais violento com o pobre do que com o rico, tolera que os cidadãos ricos tratem os pobres com desprezo, impunemente, que nas regiões carentes não haja transporte digno, enquanto nas ricas haja estrutura sofisticada e sempre aprimorada etc.
Pobres, na prática, em muitos casos, não entram na conta da defesa dos Direitos Humanos, ou, pelo menos, não têm o mesmo peso que os mais abastados. Basta ver, por exemplo, que a OAB diz que há advogados demais no mercado, enquanto os que mais têm direitos violados são pobres por falta de advogados que os assistam, enquanto as defensorias públicas vivem sobrecarregadas e não dão conta de atender aos carentes da forma que precisam.
Por isso e por muitas outras razões que já exteriorizei em outros artigos e vídeos, o PLC122 é hipócrita e perigoso sim para os cristãos, mesmo depois da reformulação que apresentaram que, evidentemente, tornou mais tênue, mas não eliminou os riscos de punições a cristãos que defendem a família tradicional. Se aprovado, até defendermos o que formos contrários em seu texto, poderá ser interpretado como crime de apologia de crime ou criminoso, previsto no artigo 287 do Código Penal. Para fugirmos dos riscos da falta de informação e da má fé de quem quer que seja, precisamos estar atentos.
* @RubensTeixeira é Bacharel em Direito (UFRJ – aprovado para a OAB/RJ), membro dos Juristas de Cristo, doutor em Economia (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em auditoria e perícia contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), bacharel em Ciências Militares (AMAN), professor, escritor, radialista, Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil, ocupante da cadeira 37, e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e graduado do Haggai Institute Advanced Leadership Training.

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Pastor evangélico da igreja Assembleia de Deus • Doutor em Economia pela UFF • Mestre em Engenharia Nuclear pelo IME • Pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil pela UNESA • Engenheiro de Fortificação e Construção (civil) pelo IME • Bacharel em Direito pela UFRJ (aprovado na prova da OAB-RJ) • Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN)

Globo faz crianças de ‘escudos humanos’, usando os gays, com o silêncio dos seus parceiros

Globo faz crianças de ‘escudos humanos’, usando os gays, com o silêncio dos seus parceiros

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Depois que li a matéria “REDE GLOBO e o ‘beijo gay’. Sete crianças entre 6 e 9 anos foram autorizadas a assistirem ‘beijo’”, assinada por Paulo Teixeira, colunista deste site, em seu blog Holofote.Net, fiquei completamente perplexo. Não quero aqui desferir um ataque direto à emissora, apesar de já sabermos qual seu perfil, valores e entendimento a respeito de diversas questões relacionadas à família e à vida. Entretanto, muito me incomoda que as pessoas tenham tanta liberdade para manipular crianças psicologicamente, sem que haja qualquer entrave.
Tratar qualquer ser vivo com indignidade não é da natureza de pessoas equilibradas. Principalmente quando temos a plena noção de que, quanto mais discernimento e inteligência têm esse ser vivo, mais doloroso é o processo que ele sofre. Uma criança é um ser inteligente em formação. Não está pronta para se expor a determinados temas incompatíveis com a sua idade. Por outro lado, adolescentes, jovens e adultos também não apreciam determinadas coisas ou, se expostos a elas, podem sofrer prejuízos psicológicos também.
Contudo, esta emissora e outras entidades, de mídia ou não, em suas agendas de ativismo homossexual, não medem esforços para tentar enfiar goela adentro o que eles ‘acham melhor’ para a sociedade. A Globo sabe que detém boa parte da audiência e isso lhe garante que terá boa visibilidade ao colocar algo no ar. Uma programação apresentada naturalmente, sem pauta previamente conhecida pelos telespectadores, deixa-os ‘desarmados’ e tira-lhes a capacidade de análise plena de uma ‘cena’ ou ‘tema’ que lhes sejam apresentados, a menos que este telespectador seja um ‘expert’ na matéria ou tenha posição formada sobre o que está assistindo.
Uma criança, ou um adolescente, por exemplo, não tem esse discernimento amadurecido completamente, na maioria dos casos. Quando a emissora apresenta abruptamente estas cenas, pega esses menores de surpresa e pode deixá-los marcados para toda a vida pelo trauma que é ser colocado, com autorização dos pais, em uma exposição deste nível na TV. Alguém pode alegar que ‘os pais são responsáveis pela educação dos filhos e autorizaram’. Se isso não tivesse limite, um pai poderia também autorizar um filho ou uma filha menor a participar de um ambiente não indicado para eles, seja pelos riscos, seja por qualquer outra forma de incompatibilidade, como, por exemplo, participar de uma competição em alto mar ou mesmo assistir a uma orgia sexual.
Conheci e conheço vários homossexuais. Dentre esses, como na maioria dos cidadãos, vejo um esforço de serem equilibrados e levarem suas vidas com discrição. Os homossexuais e heterossexuais que convivem comigo sabem que sou cristão e que, por isso, creio exatamente como diz a Bíblia com relação a todas as práticas que qualquer pessoa possa ter. As Escrituras Sagradas não possuem um rol exaustivo do que venha a ser pecado, e todos nós estamos sujeitos a cometer uma ação que desagrada a Deus. Se a fizermos, devemos nos arrepender e deixar o erro. Em Provérbios 28:13 diz “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”. Essa é a visão daquele que serve a Cristo.
Confesso que me sinto incomodado com cristãos atuantes que ‘surfam nas ondas da Globo’ e deixam suas eloquências e coragens de lado nestas horas, fingindo-se de cegos, surdos e mudos. Este evangelho de conveniência explorado comercial e politicamente não é o Evangelho de Cristo, mas sim um serviço para o adversário das nossas almas, pois estamos rodeados de uma ‘tão grande nuvem de testemunhas’ (Hebreus 12:1) que esperam de nós coerência.
Todavia, a maioria das pessoas defendem o respeito às crianças e jamais gostariam de ver um filho, filha, sobrinho, sobrinha, ou qualquer outro menor sob sua responsabilidade sendo exposto, livremente, a uma situação tão exagerada como esta. Uma postura dessa tende a colocar os mais desavisados contra todos os homossexuais, que na verdade não têm responsabilidades sobre isso. A responsabilidade é de quem participou de alguma forma da produção e apresentação, sobretudo a emissora.
Da mesma forma que, como pai, exijo respeito aos meus filhos, tenho que defender e exigir o respeito a todas as crianças. Não adianta argumentar que os pais autorizaram. Há pais que autorizam seus filhos a se venderem a monstros para receber qualquer coisa em troca. Há pais que matam seus filhos e há outros que abusam de seus próprios filhos. Nem em uma demanda judicial em que as crianças sejam obrigadas a falar acerca dos seus pais ou de fatos constrangedores fazem algo tão truculento com elas. Ao contrário, nestes casos, os tribunais cercam-se de cuidados utilizando-se de psicólogos e assistentes sociais para tratar do tema, amenizando os impactos psicológicos sobre as crianças.
No artigo “Tudo pelo prazer sexual: até crianças e fetos”, publicado neste site, denuncio essas armadilhas de pessoas insensíveis que desejam viabilizar o prazer sexual sem responsabilidade com o sacrifício, inclusive, de vidas: . Não devemos permitir que as crianças paguem pelo que não fizeram e nem sofram as consequências dos atos pelos quais não são responsáveis.
A emissora, certamente, tem a intuição de que se fizesse uma pesquisa pública, isenta, e testasse a aceitação dos pais a respeito de expor seus filhos a uma cena como essa a maioria a reprovaria. Daí, escolheu estrategicamente alguns para que realizasse o seu intento. Seria ótimo se divulgasse o perfil dos pais autorizadores e das suas famílias, mesmo que omitisse seus nomes, para que fosse verificado o padrão e estilo de pais e famílias que permitiram seus filhos se exporem a situações tão desagradáveis e ridículas.
Em um mundo cheio pedófilos, inclusive poderosos, pais que matam seus filhos, os deixam se venderem pelas estradas, não é de se surpreender que outros possam autorizar expor a imagem dos seus filhos assistindo a uma cena em que os pequenos, em sua inocência, expressaram seu constrangimento ou, talvez, nojo. Não dos gays, claro, mas do perverso conjunto da obra cujo projeto contemplou irresponsavelmente o uso de crianças como ‘escudos humanos’ para defender o que talvez não conseguem fazê-lo de forma mais inteligente.
* @RubensTeixeira é Bacharel em Direito (UFRJ – aprovado para a OAB/RJ), membro dos Juristas de Cristo, doutor em Economia (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em auditoria e perícia contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), bacharel em Ciências Militares (AMAN), professor, escritor, radialista, Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil, ocupante da cadeira 37, e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e graduado do Haggai Institute Advanced Leadership Training.

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Pastor evangélico da igreja Assembleia de Deus • Doutor em Economia pela UFF • Mestre em Engenharia Nuclear pelo IME • Pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil pela UNESA • Engenheiro de Fortificação e Construção (civil) pelo IME • Bacharel em Direito pela UFRJ (aprovado na prova da OAB-RJ) • Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN)

 

Bolotas de porcos ou mesa farta? Você escolhe!

    
Bolotas de porcos ou mesa farta? Você escolhe! Recomendo a leitura para completar a reflexão: Lucas 15.11-24.
Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel Saímos do pó, da terra e do chão, mas Deus através do Evangelho de Cristo Jesus nos propõe a glória das mansões celestiais. Infelizmente, alguns de nós perdemos essa revelação perfeita exatamente porque nossas escolhas e consequente posição de vida nos trouxeram ao chão, mais que isso, fizeram nos sentir pó e materializaram nossas esperanças no que é simplesmente terrenal. Antes, nosso coração pulsava pela presença de Deus, havia uma vontade em nosso ser por buscá-lo, de estar na presença Dele, a fim de reverenciá-lo. Hoje, o quadro é outro; como se uma imanência terrena ultrapassasse todo o sentido do Soberano Deus transcendente que mesmo sendo o Rei da Glória se importa conosco. Como foi bom nos sentirmos esclarecidos, superiores e trafegando sobre as vias do sucesso que este século prega. As vozes do humanismo nos abriram os olhos (como a proposta da serpente no Éden, para sermos donos de nosso destino) e a essa altura, restaram-nos poucas coisas absolutas; relativizamos tudo – até Deus.
As ruínas espirituais, morais e existenciais começaram quando deixamos de olhar para Deus e  perdemos a comunhão com Ele. Dispensamos a sabedoria do Pai Onisciente para confiar em nossos conhecimentos e capacitações (como fomos tolos). Erramos o endereço da Nova Jerusalém quando abandonamos o mapa de Sua palavra. Relegamos a posição de filhos quando exigimos pela prematura partilha do que achávamos que era nosso, por simples ignorância e tenra vivência. O erro maior foi quando concluímos que a liberdade para ganhar o mundo seria mais promissora que nossa obediência à Sua voz paterna e segura. Como o filho pródigo, às vezes não percebemos a grandeza do Pai, sua generosidade e amor por nós. Ignoramos que a nossa posição junto à mesa farta e familiar é incomparavelmente melhor que a possibilidade de um futuro incerto e infeliz na companhia de porcos e seus cochos, numa desesperada tentativa de comer suas bolotas azedas e impróprias à nossa alimentação e sobrevivência.
Algumas pessoas estão numa semelhante situação desesperadora e se sentido literalmente no chão. E o pior; essa posição não é sinal de humilhação; são decepções e frustrações puras – se pudéssemos assimilar as experiências degustáveis (do pródigo com a nossa, às vezes), estes sentimentos comporiam o nauseante sabor daquelas bolotas.  A situação parece a cada dia piorar, e não é o peso das mãos do Pai Eterno; são as conseqüências de nossas escolhas – a colheita do que plantamos. Não estamos apenas olhando para o chão, estamos com o rosto na lama. Não é como estar cabisbaixo (desanimado), é chegar ao ponto culminante da derrota; é não ter mais esperanças. Que contraste: há tempos passados, nos encontrávamos na mesa da bênção e não sabíamos. Agora, estamos quase a chafurdar sobre o resultado de nossa desobediência e altivez. A dramática melancolia e a conjunção metafórica impregnada neste texto estão longe de ser uma abordagem poética – tem aplicação literal para muitos que me leem – mas há esperança!
A reflexão de quem você é realmente sob a ótica de Deus, junto da decisão de mudar essa realidade momentânea são peças que se complementam em outra ação importante: atitude. Não existem fórmulas mágicas para viver a vontade de Deus, existe um caminho que é Cristo; o alimento para a caminhada que é a Palavra de Deus e coexistem consolo e esperança para a jornada de retorno concentradas no amor do Pai e em suas promessas. Há sem dúvida bênçãos para sua vida, reservadas para todas as vezes que você toma uma decisão de fazer o que é certo, conforme a vontade de Deus; há graças do Espírito Santo para todas as atitudes que você desenvolve para se aproximar do Pai, que está de braços abertos a te esperar. O milagre da transformação de sua vida só depende de você e Deus e ocorrerá quando você cair em si; quando romper com os encantos e afagos deste cosmos usurpador e galanteador; quando não se conformar em viver abastado das pobres riquezas deste mundo e em misérias existenciais. Deus tem coisas melhores pra você: levante-se, saia do chiqueiro e retorne para a casa paternal; pois lá ainda na chegada, os  braços abertos do Pai lhe dispensarão perdão e acolhimento – Ele fará uma festa por e com você!

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Silvio se define como crente pela compaixão de Jesus, estudante de teologia por paixão e administrador de empresas por profissão. Mora na belíssima cidade de Guarapari no ES; estudou teologia no Seminário SEET e na Faculdade FAIFA. Textos de sua autoria frequentemente são publicados em portais cristãos do país por focarem questões do cotidiano da igreja evangélica brasileira. Ele ainda mantém o blog Cristão Capixaba, iniciou o portal Litoral Gospel e está engajado numa campanha para conscientização cristã para as eleições de 2014 conheça e participe!

A Torre de Babel - Línguas, Confusão e Inversão

a torre de babel
A história da Torre de Babel, situada logo no início na pré-história, é um dos acontecimentos que mudaram a história da humanidade, que ilustra muito bem o que pode dar errado nas civilizações e nas sociedades.

A curta narrativa contada em apenas nove versos é uma obra-prima compacta de literatura e virtuosidade filosófica. A primeira característica notável é sua precisa descrição histórica.

A torre, também chamada de zigurate, era o maior símbolo das cidades estados do vale do Tigre-Eufrates, na antiga Mesopotâmia, o berço da civilização. Foi neste local que os primeiros grupos humanos se fixaram, desenvolveram a agricultura e passaram a construir cidades.
E o Gênesis chama a atenção para a habilidade que possuíam de fabricar materiais de construção, especialmente tijolos (não só tijolos, mas também a roda, o arco e o calendário). Os tijolos eram feitos de barro, cozidos ao sol ou queimados ao forno, "E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal". Gênesis 11:3.
Este conhecimento tornou possível a construção de prédios em grande escala, atingindo alturas jamais vistas até aquele momento. Apartir daí que o zigurate começou a crescer em tamanho, com vários níveis de muitos andares e milhares de degraus para se chegar ao seu topo, e que possuía um significado religioso profundo.
A Torre de Babel Foi o Maior Zigurate da História.
Essas torres, em sua essência (as ruínas de pelo menos trinta foram descobertas), configuravam-se em "montes santos" construídos pelo homem, onde o céu e a terra pareciam se encontrar.
"E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus," Gênesis 11:4.
Inscrições encontradas nestas construções, que foram decodificadas por arqueologistas, se referiam à idéia de seu topo "atingindo os céus". O maior deles, o grande zigurate de Babel do qual fala o Gênesis, era um edifício de sete andares com 91,44 metros de altura, uma construção sem precedentes para a época.
A história da Torre de Babel não é apenas precisa em descrever os fatos e o meio histórico-cultural em que se desenvolve a narrativa. Está repleta também de recursos literários, inversões e jogos de palavras no original hebraico. Isso porque a maioria das palavras em hebraico, podem ser quebradas e reduzidas à sua raiz, à matriz de cada palavra, composta de três consoantes, que contém a essência do significado daquela palavra.
Um exemplo que ilustra bem essa característica do hebraico escrito é o familiar ensinamento Talmúdico que nota a similaridade entre as palavras banayikh (seus filhos) e bonayikh (seus construtores), e sugere que Isaías 54:13 "E todos os teus filhos/construtores serão estudantes do Senhor; e a paz de teus filhos/construtores será abundante", o que indica que todos aqueles que estudam a palavra de Deus são chamados construtores da paz.
Voltando ao Gênesis, um dos recursos literários mais notadamente conhecidos no texto, tem a ver com o jogo de inversão de palavras da raiz hebraica l-v-n, "tijolos", com n-v-l, "confusão", que são precisamente inversões uma da outra. Essa técnica literária está relacionada a uma mensagem moral e espiritual muito importante no Gênesis.
Neste caso, o jogo de palavras chama a atenção para o fenômeno da inversão de papéis entre o divino e o humano, uma certa tendência entre os descendentes de Adão. O resultado do comportamento humano resulta frequentemente no oposto do que foi intencionado.
Os construtores queriam concentrar a humanidade em um só lugar "e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra" Gênesis 11:4. O resultado foi que eles foram dispersados por todo o mundo. "Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade" Gênesis 11:8. Eles queriam e fizeram um "nome" para eles mesmos, mas o nome Babel tornou-se o símbolo eterno de confusão.
ruínas da torre de babelA Confusão das Línguas Impediu a Construção da Torre de Babel.

A Confusão das Línguas

E eles estavam super orgulhosos na sua mais recente descoberta tecnológica, a capacidade de construir edifícios em uma escala nunca vista até aquele ponto. Eles só não sabiam que o maior poder criativo de todos é a linguagem e não o conhecimento técnico.
Através da linguagem nós formamos nossas idéias imaginativas, construímos possibilidades e convocamos outras pessoas para nos ajudar a torná-las em realidade. As palavras precedem o trabalho. Não foi um problema técnico que impossibilitou a continuação da construção da Torre de Babel, mas a inabilidade de se comunicar.
Nesta narrativa, podemos encontrar algumas palavras que nos trazem ricos significados espirituais. A primeira está na frase que abre e fecha este episódio, kol ha-aretz, "toda a terra". "E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala" Gênesis 11:1.
A outra palavra é o vocábulo hebraico shamayim, "céus", o lugar que os construtores da Torre de Babel tentavam profanar. A temática do texto bíblico fica então bem clara, esta é uma história sobre céu e terra, o que faz com que retornemos ao capítulo 1 do Gênesis, onde vemos Deus criando os céus (shamayim) , e a terra (aretz).
A descrição da criação em Gênesis 1 fala mais da bondade de Deus em criar um universo bom e cheio de ordem, do que sobre o seu poder. Os antigos pagãos orientais viam o mundo como um lugar cheio de perigos, maldades, ameaças, desastres, fomes e dilúvios. O universo que enxergavam, era o resultado de batalhas entre poderes cósmicos, personificados por conflitos entre os "deuses".
Mas há uma outra palavra chave envolvida na criação, sua raiz hebraica é b-d-l, "separar, dividir, distinguir", que aparece cinco vezes no capítulo 1 de Gênesis, e que traz importantes verdades sobre a criação. A bondade da criação reside na ordem e na ordenação dos elementos, representados por fronteiras e separações. Deus separou diferentes domínios.
No primeiro dia - luz e trevas; no segundo - águas acima da expansão e águas abaixo; no terceiro dia - dia e noite; no quarto dia - sol e lua; no quinto - pássaros e peixes; no sexto dia - animais e a espécie humana. Cada domínio foi preenchido com formas de vida apropriadas aos respectivos ambientes.
A visão que o Gênesis passa é que ordem é sinônimo de bondade. O mal é desordem. A palavra het, "pecado", vem de um verbo que significa "errar o alvo". A palavra avera, "transgressão", significa "ultrapassar os limites e entrar em um local proibido". Muitos dos hukkim, "estatutos", dos hebreus são sobre o ensinamento do respeito que devemos ter pela ordem natural estabelecida no universo.
A própria criação trouxe ordem ao caos em que os elementos estavam no princípio. O físico Gerald Schroeder, afirma que esta ordenação do universo está presente implicitamente nas palavras hebraicas erev (tarde) e boker (manhã). "E foi a tarde (erev) e a manhã (boker), o dia primeiro" Gênesis 1:5. Erev em hebrico siginifica "uma mistura sem diferenciação de elementos". Boker vem de uma raiz que tem por siginificado "refletir, contemplar, buscar esclarecer".
bebel, homens querem ser deusOs Homens Queriam Ser Divinos em Babel.

Ordem e Bondade

Um universo ordenado é um universo de paz, em que cada ser, seja ele humano ou inanimado, tem o seu lugar apropriado. Violência, injustiça e conflito são formas de desordem - fracassos em respeitar a integridade das diferentes formas de vida e de cada pessoa.
No mundo mitológico, contra o qual as escrituras sempre protestaram, nenhum limite é respeitado. Lá, deuses e humanos se confundem. Há homens deuses e semi-deuses. E ainda há seres estranhos, híbridos, metade humanos e metade animais.
Esse era o estado em que estava o universo antes do dilúvio, quando "viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra" Gênesis 6:12.
Estas quebras de barreiras e de domínios é que trazem o caos e a desordem. Deus criou os limites para trazer ordem e bondade, o homem frequentemente quebra estes limites, e com isso cria o caos, gerando resultados inevitavelmente destrutivos.
O limite mais fundamental que Deus criou foi a diferenciação entre o céu e a terra. Deus não pode ser representado por nada do que há na terra. "Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens" Salmos 115:16. Esta divisão ontológica é fundamental: Deus é Deus, homem é homem. Ninguém pode cruzar esta fronteira.
Este foi o maior pecado dos construtores da Torre de Babel. Sua aspiração em "atingir os céus" era risível, e o Gênesis com seus jogos de palavras e inversões, faz piada deles. Uma construção com 91,44 metros e eles pensavam que tinham chegado "aos céus". Era realmente risível a pretensão que eles tinham em se tornar seres divinos.
Intoxicados pela sua proesa tecnológica, acreditavam que eles tinham se tornado "deuses" e poderiam construir seu próprio mini-universo. E não se contentando em dominar a terra apenas, agora partem para invadir o domínio divino. Este é um erro que muitas civilizações cometeram e o resultado foi catastrófico. O espírito de Babel esteve presente e ainda está, em muitas ações humanas na história.
Um exemplo recente que temos, é o deixado pelos nazistas, que se intitulavam "raça pura, ariana, divina", e veja todos os crimes que cometeram. Quando seres humanos tentam ser mais do que humanos, eles rapidamente se tornam desumanos. Graças a Deus, somente Ele é Deus, pois somente quando aceitamos que Ele é Deus, é que podemos ser totalmente o que somos, humanos, e exercer toda a nossa humanidade.
E assim mantemos a distinção do céu e da terra, organizando a terra sempre debaixo da consciente soberania dos céus. Somente quando respeitamos os limites da criação é que impedimos os seres humanos de destruirem-se mutuamente, na ânsia utópica de serem reconhecidos como seres mais "altos", "divinos", de "raça superior".
O mundo que Deus criou é um mundo de limites, e o ser humano tem limites e tem que respeitar a ordenação dada à criação.

Abraão Hospeda Três Anjos Que O Visitam

tres anjos aparecem a abraão
Esta porção da Torah, também conhecida como Vayera, inicia com uma das mais famosas cenas da bíblia, o encontro de Abraão com três enigmáticos personagens.

O Gênesis os chama de homens. É somente depois que somos informados que na verdade eles são anjos, cada qual com uma missão específica.

"Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele.

E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra, E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo." Gênesis 18:1-3

A princípio, este capítulo parece uma narrativa simples, todavia, examinado com mais profundidade, descobrimos o quanto é complexo e ambíguo, composto, no mínimo, de mais de uma seção:
  • Deus aparece a Abraão no verso 1;
  • Já nos versos 2-16 os anjos/homens encontram Abraão;
  • Versos 17-33 Ocorre o diálogo entre Deus e Abraão sobre o destino de Sodoma.
O desenvolvimento desta história está longe de ser claro. Será que há mais de uma cena neste episódio? Quantas seções estão presentes nesta passagem, uma, duas ou três seções?
Há uma grande possibilidade de se tratar de três. Os acontecimentos sequenciais que o texto descreve, passam a percepção de se tratarem de eventos separados. Primeiro Deus aparece a Abraão para, como explica o rabino Rashi, "visitar o doente", pois esta cena ocorre após a circuncisão do pai da fé.
Depois chegam os visitantes com a notícia de que Sara teria um filho. Após isso é que se dá o diálogo sobre o juízo e punição do povo de Sodoma e Gomorra. Maimônides Rambam, em seus escritos, sugere que há apenas duas cenas: O diálogo com Deus e a visita dos anjos, e o primeiro verso seria uma espécie de cabeçalho de todo capítulo.
Uma terceira possibilidade seria que todo o texto descrevesse uma única e contínua cena: Deus aparece a Abraão, mas antes que Ele começe a falar, Abraão visualiza os três estrangeiros e pede respeitosamente que Deus o aguarde, para que ele possa oferecer sua hospitalidade, receber e servir aos homens que passam em frente a sua tenda. Somente depois que eles se vão, é que o diálogo com Deus é retomado.
"E disse: Meu Senhor(Adonai), se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo." Gênesis 18:3
Abraão, Sem saber, Hospedou Anjos.
Agora, é interessante notar que a palavra usada no hebraico para designar "Senhor" no verso 18:3, é Adonai. A forma como traduzirmos a palavra Adonai no pedido de Abraão, "Meu Senhor(Adonai), se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo", interfere na interpretação de toda esta história.
"Adonai" pode ser uma referência a um dos nomes de Deus. Pode ser traduzido também como "meus senhores" ou simplesmente "senhores" . Caso a tradução considerada fosse a primeira apresentada, Abraão estaria se dirigindo à Deus. No segundo caso, ele estaria falando com os estrangeiros. É muito importante que vanhamos a compreender isto, senão vejamos.
Esta mesma ambiguidade linguística aparece no capítulo 19:2, quando dois dos visitantes de Abraão, agora descritos como anjos, encontram Ló em Sodoma.
"E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra; E disse:

Eis agora, meus senhores(Adonai), entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite." Gênesis 19:1-2
Aqui a palavra no texto hebraico para "meus senhores" é também Adonai: "E disse: Eis agora, meus senhores(Adonai)..." e como não há nenhuma sugestão de que Ló estivesse falando com Deus, fica claro neste caso que a Adonai se referia aos visitantes estrangeiros.
Uma leitura simplista das duas histórias, tanto a de Abraão como a de Ló, nos levariam a conclusão de que a interpretação consistente de Adonai seria "senhores". De fato, a maioria das bíblias e traduções do Antigo Testamento tomam essa direção. A tradição e a visão hebraica, que leva em consideração outros aspectos do texto em sua forma original, contudo, tem uma interpretação diferente.
Normalmente as diferenças de interpretação das narrativas bíblicas não têm muitas implicações, são apenas discordâncias simples. Mas neste caso, se a tradução de Adonai for "Deus", por se tratar de um nome santo, os escribas teriam uma forma especial de escrevê-lo, trazendo condições especiais que a Lei daria ao documento que o contém.
Se porém o significado fosse "senhores", então não haveria nenhuma especificação especial ou de santidade na sua escrita. E examinando a Lei, ela nos mostra que na cena de Ló com os anjos, Adonai é lido como "senhores", mas no caso de Abraão, Adonai é lido como "Deus".
Isto é um fato extraordinário, pois sugere que Abraão ao ver Deus nos carvalhais do manre, antes mesmo que Deus falasse, o pede para que esperasse, enquanto ele servia aos seus visitantes. De acordo com a tradição judaica, esta passagem deveria ser lida do seguindo modo:
Deus aparece a Abraão... ele levanta os olhos e vê três homens diante dele. E quando os vê, ele corre da porta da sua tenda até onde eles estavam para encontrá-los. Então Abraão se curva e se volta para Deus e diz:
"Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo" [ou seja, por favor espere até que eu sirva estes três homens com hospitalidade]
[Então ele se volta para os três homens e diz:] "Que se traga já um pouco de água, e lavai os vossos pés, e recostai-vos debaixo desta árvore;

E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como disseste." Gênesis 18:4-5

Como Honrar a Deus?

Essa ousada interpretação se tornou a base de um lindo princípio para os hebreus: "A hospitalidade é tão honrosa quanto receber a presença divina". Confrontado em escolher entre ouvir Deus e oferecer hospitalidade para o que parecia ser seres humanos, Abraão escolheu a segunda opção.
E o mais extraordinário, é que Deus não ficou aborrecido, aceitou o seu pedido e esperou até que Abraão trouxesse água e comida para seus visitantes, para só então começar a falar sobre Sodoma.
Como pode ser isto? Na melhor das hipóteses, parece desrespeitoso, e na pior, herético, colocar as necessidades de seres humanos em prioridade a atender à presença de Deus. Entretanto, o que esta passagem quer nos ensinar é algo de imensa profundidade.
Os idólatras do tempo de Abraão adoravam o sol, as estrelas, e as forças das natureza como se fossem deuses. Abraão porém sabia que Deus está além das forças da natureza. Há apenas uma única criatura em todo o universo, em que Deus pôs a sua imagem, no ser humano, na pessoa humana.
As forças da natureza são impessoais, e aqueles que as adoram perdem a sua humanidade:
"Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem.

Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam." Salmos 115:4-8
Ninguém que adora forças impessoais pode resguardar a sua personalidade apaixonadamente humana, generosa e perdoadora. É por isso, por que Deus é um ser pessoal, uma pessoa para qual podemos dirigir a palavra, é que nós honramos a diginidade humana como sendo sacrossanta.
Abraão, o pai da fé, conhecia a verdade paradoxal de que ter uma vida de fé é reconhecer os traços divinos na face de seu semelhante, mesmo que este seja um estranho. É muito fácil receber a presença divina quando Deus se apresenta como Deus. O que é difícil, é sentir a presença de Deus, quando Ele vem na forma de três viajantes desconhecidos.
Essa foi a grandeza de Abraão. Ele sabia que ouvir a Deus e oferecer ajuda ao próximo, eram não duas coisas separadas, mas uma só coisa.

Mais Alto que os Anjos

Em um dos mais lindos comentários sobre esse episódio, o rabino Shalom Rokeach notou que no verso 18:2, os visitantes são descritos como estando acima de Abraão (nitzavim alav), enquanto que no verso 18:8, Abraão é descrito como estando acima deles (omed aleihem).
"e ele estava em pé junto (acima / omed aleihem) a eles" Gênesis 18:8.
A princípio, os visitantes estavam em um nível espiritual mais alto do que Abraão, pois eles eram anjos e Abraão um mero ser humano.
Mas quando ele os serviu, alimentando-os e oferecendo abrigo, ele se tornou espiritualmente mais alto do que os anjos. Esta é um dos mais fundamentais princípios do mundo da fé: Nós honramos Deus quando honramos a Sua imagem, o ser humano.
"Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim." Mateus 25:42-45